100 anos de Athos Bulcão

O centenário do artista carioca é celebrado em uma grande exposição no CCBB de São Paulo

A regra de Athos Bulcão (1918-2008) era simples: os desenhos dos azulejos não podiam formar um circulo completo. De resto, os funcionários que trabalhavam com ele no ateliê podiam criar à vontade. Os desenhos que saíam dali eram inúmeros e sua geometria faz, até hoje, os olhos do público seguirem suas linhas em desenhos contínuos e, muitas vezes, orgânicos. Esse quebra-cabeça de formas e cores é um dos destaques da exposição que acaba de inaugurar no Centro Cultural Banco do Brasil de São Paulo em celebração ao centenário do artista carioca, que morreu aos 90 anos, vítima de Parkinson.

As cerca de 300 obras exibidas na mostra traçam a trajetória de Bulcão: desde a inspiração inicial pela azulejaria portuguesa, passando pelo aprendizado sobre a utilização das cores quando foi assistente de Portinari, até as duradouras e geniais parcerias com Oscar Niemeyer e João Filgueiras Lima, o Lelé. O resultado está espalhado pelo Brasil, do Memorial da América Latina, em São Paulo, à icônica Igreja Nossa Senhora de Fátima, projetada por Oscar Niemeyer, em 1957, em Brasília.

Os azulejos, no entanto, são apenas uma parte das obras escolhidas pelos curadores Marília Panitz e André Severo para compor a exposição. Há também outras criações, como desenhos, pinturas, fotomontagens e até cenários e figurinos de teatro feitos pelo artista, como para as peças Tio Vânia, de Tchekhov, em 1955, e O Dilema de um Médico, de Bernard Shaw, dirigida por Paulo Francis um ano depois.

Entre os highlights da mostra estão as máscaras feitas pelo carioca durante a segunda temporada em que morou em Paris, em 1971. As peças, uma as mais disputadas entre colecionadores, começaram a ser produzidas, de acordo com o próprio artista, depois que ele assistiu à última cena de 2001 ­– Uma Odisseia no Espaço (1968), de Stanley Kubrick.

Centro Cultural Banco do Brasil São PauloRua Álvares Penteado, 112, Centro Até 15 de outubro