BUG: Oi Futuro reúne obras imersivas e interativas em nova mostra

A palavra bug, que no inglês significa inseto, ganhou nas últimas décadas um outro significado no mundo da tecnologia. Hoje ela é sinônimo de erro, de uma descontinuidade na programação ou no sistema de um computador, que, por consequência, causa qualquer tipo de estranheza para o espectador. A palavra, que dá nome à ótima exposição em cartaz no Centro Cultural Oi Futuro, no Rio, até 11 de setembro, não poderia ser mais acertada.

A tecnologia permeia quatro andares da instituição de formas inusitadas, passando pelas plataformas da arte, da educação, do cinema e também do jornalismo. “A proposta da mostra é fazer uma introdução a esse vasto campo das narrativas imersivas e interativas”, explica o curador André Paz, professor-doutor de Engenharia de Produção com ênfase em Produção Cultural da UniRio e diretor de documentários interativos. “A realidade virtual, por exemplo, existe desde o século 19. Já as tecnologias contemporâneas, há mais de três décadas. Mesmo assim, elas ainda são pouco exploradas no Brasil e as peças exibidas na exposição nos dão um panorama do que elas podem alcançar.”

Dessa forma, a exposição traz ao espaço obras instigantes e incomuns no universo programado que encontramos na internet. São obras interativas e imersivas feitas em diferentes plataformas, entre eles os webdocumentários, vídeos imersivos 360º, realidade aumentada, realidade virtual – ela está de volta com força agora–, mapas de som e outros, em celulares, tablets, computador com e sem óculos de realidade virtual. Os coletivos eleitos para compor a mostra Bug são formados por artistas, tecnólogos, programadores, webdesigners e diretores audiovisuais.

Para quem ama o universo da tecnologia, como eu, seguem aqui alguns destaques para a visita:

Tilt Brush é uma experiência em realidade virtual que permite ao usuário pintar em um espaço 3D, em tamanho real. As pinceladas tridimensionais transformam um quarto escuro em tela e a imaginação em paleta. As possibilidades são infinitas.

Som dos Sinos é um projeto multiplataforma e pioneiro na utilização de novas mídias para a divulgação de patrimônio imaterial. Ele reúne um amplo material audiovisual sobre nove cidades históricas de Minas Gerais, conhecidas por seus mais de quarenta toques de sinos, que identificam os diversos ritos. Uma experiência imersiva no ambiente dos campanários e na relação do humano com o divino.

My Africa é um filme em realidade virtual em meio ao Santuário de Elefantes Reteti, no Quênia. A história é narrada pela jovem Naltwasha Leripe, que conduz o participante em uma experiência imersiva no dia a dia do povo Samburu, retratando as maneiras que encontram para garantir o próprio sustento e a sobrevivência dos animais que habitam o território – há o registro, por exemplo, do resgate de um elefante das mãos de caçadores.


Zero Days VR
 é a versão em realidade virtual do premiado curta-metragem de mesmo nome. A história gira em torno do vírus Stuxnet, considerado a primeira arma cibernética do mundo capaz de causar danos físicos no mundo real. O participante experimenta o mundo invisível da guerra cibernética da perspectiva do vírus, projetado pelos EUA e Israel e enviado em uma missão clandestina para sabotar uma instalação nuclear iraniana subterrânea.

Way to Go é uma experiência interativa em um mundo particular. O participante é uma caricatura com rosto e membros, caminhando, correndo ou voando, como um desbravador em uma aventura.


The Quipu Project 
é um projeto colaborativo sobre as mais de 300 mil pessoas afetadas pelo programa de esterilização forçada que ocorreu no Peru nos anos 90. A premissa fundamental é divulgar os testemunhos de quem sofreu e continua sofrendo as consequências dessa violação, em termos físicos e psicológicos.

Centro Cultural Oi Futuro: Rua Dois de Dezembro, 63 , Rio de Janeiro. Entrada Gratuita